Futebol e responsabilidade

Data: 28/02/2014

Parecia tudo tranquilo para 2014. Os eventos já marcados, bem garantidos por um calendário estabelecido com absoluta prioridade: a Copa do Mundo, e as eleições de outubro. Mas eis que de repente surge uma interrogação inquietante: como vai ser esta copa? E como serão as eleições, que dependerão muito do resultado da copa? Uma interrogação que envolve, portanto, os dois eventos principais, previstos para este ano.

O temor se concentra na probabilidade de manifestações populares. Como serão, que repercussão terão, qual sua força de intervenção nos diversos eventos programados. Uma coisa é certa, e necessita de nossa atenção.

Muitos preferem águas turvas para pescar. Estão torcendo pelo pior. E não terão escrúpulos de usar a violência para conseguir seus objetivos. Diante desta postura, assumida e organizada por grupos bem identificados, não resta dúvida que cabe ao poder público estar atento, e coibir ações criminosas, que se valem da legitimidade de manifestações populares, para encobrirem seus intentos criminosos.

Um fenômeno interessante está tomando forma. No país do futebol, se avolumam os questionamentos à maneira como vem sendo organizada a Copa do Mundo. Este questionamento se amplia, ao constatarmos onde foi parar este esporte tão envolvente e tão próximo das camadas mais pobres da população. O futebol foi domesticado, e apropriado indevidamente pelo poder econômico, a tal ponto que virou simplesmente um negócio, que vai tirando a beleza deste esporte tão democrático e tão popular.

Esta tendência contagiou negativamente todos os níveis do futebol. Desde os campeonatos de várzea, até a organização mundial do futebol, simbolizado pela FIFA, que tem na organização da Copa do Mundo sua incumbência maior. Hoje, qualquer menino que dá seu primeiro chute numa bola, já começa a sonhar em ser um grande jogador, ganhando salários fabulosos. E como de fato o futebol acarreta somas fabulosas, a Copa do Mundo acabou ficando refém da grande especulação financeira que gira ao seu redor.

Ao chegar o tão esperado “ano da copa”, parece que “o país do futebol” tem um questionamento importante a fazer aos cartolas, que se apoderaram indevidamente deste esporte tão popular, que não pode ficar reduzido a uma trama de negócios escusos. Mas para nos habilitarmos a transmitir esta mensagem de questionamento, não podemos perder a credibilidade que nos habilita a tomar uma posição esclarecida, madura e responsável. Se é para fazer manifestações populares, providenciemos as condições para que elas se façam ordeiramente, sem violência e sem intenções malévolas, seja de que ordem forem.

Uma das belezas maiores do futebol decorre da rigidez de suas normas, que o juiz se encarrega de aplicar. A democracia também precisa de regras claras, seguidas com rigor. Também quando se trata de manifestações de massa. O ano da copa e das eleições nos convida para o discernimento e para a responsabilidade. Nisto, todos podemos entrar em campo!


fechar janela